O que faz você se sentir só?
Tenho usado essa pergunta nos últimos dias da minha vida... Por que me sinto só?
Bem, armado com essas questões, estou aqui para escrever sobre isso e, quem sabe, me compreender melhor, mesmo acreditando que sempre sabemos qual é o problema... mas vê-lo é o desafio. Acho que é isso que me motiva a escrever, para que eu possa ler, refletir e melhorar.
Para mim, a solidão é o pior sentimento que existe e ela surge em todos os momentos... Quando terminamos um relacionamento, quando alguém parte pela morte... ou quando simplesmente não nos encontramos. Dizem que a solidão só existe quando não conseguimos conviver conosco.
Sempre precisei ter alguém ao meu lado, seja amigo, seja em um relacionamento, seja algo superficial...
O Jefferson do passado (e nem tão distante assim), não conseguiria ver isso, nem entender o motivo... Mas acho que agora sei... eu não gosto da minha própria companhia. Não me entenda mal, sou uma pessoa legal, sou bom com os outros, acredito ser um bom amigo, um bom pai, e tentei ser o melhor marido possível... Mas eu não gosto de mim!
É fácil identificar os motivos pelos quais gostamos de alguém, mas e quando essa pessoa somos nós mesmos? Vamos tentar descobrir.
SUFICIENTE
Você é suficiente?
"Suficiente": adjetivo que basta; que possui o essencial, o necessário; bastante.
Eu constantemente alimento a sensação de que não sou suficiente e, por isso, preciso fazer sempre mais e mais. A terapia me fez perceber o quanto isso me consome e atrapalha os outros (falaremos mais sobre isso). Sempre vou querer fazer mais, nunca será suficiente, porque sou falho e sempre vou errar. Bom, é assim que minha mente funciona.
O texto acima foi escrito em 16/11/2022. Eu nem me lembrava mais deste rascunho e, ao retornar aqui hoje, me deparei com ele.
De tempos em tempos, gosto de vir escrever aqui. Sou velho e sou do tempo em que os blogs faziam sucesso (não que o meu tenha feito). Aqui é meu diário, como mencionado anteriormente, escrevo para ler novamente e quem sabe me compreender. Mas o que me fez vir aqui hoje?
Vamos lá, do começo!
Sempre fui uma pessoa que precisou ser capaz, mas sempre me senti incapaz, mesmo realizando coisas grandiosas, importantes. Nunca fui suficiente para mim mesmo. Sempre usei tudo ao meu redor para preencher um espaço que me mantivesse longe de mim mesmo. Sei que é confuso, mas eu sou confuso. Acontece que não gosto de mim, do que minha mente pensa e de como ela pensa. Ela é barulhenta, ela me cobra. Ela cria ideias e debate coisas aleatórias o tempo todo. Quando passo tempo comigo mesmo, não quero estar só.
Meu escape sempre foi fazer algo pelos outros ou ocupar minha mente com outras coisas. Acho um verdadeiro milagre eu nunca ter usado drogas ou algo do tipo. Até mesmo com álcool, tenho muito cuidado para não abusar.
Tá, eu disse e não disse nada. Esta parte acima é apenas um desabafo meu para mim mesmo. Agora, vou explicar como funciono.
O tempo todo, tenho duas pessoas dentro de mim, duas vozes, dois seres (não vejo nem ouço, não é esquizofrenia kkkk). Eu processo tudo muito rapidamente, eu gosto disso, é assim que sou! Isso me ajuda com piadas, a sair de situações ruins, a ser bom com algoritmos e lógica em geral, a aprender rapidamente, a ser bom em analisar coisas e pessoas.
A atenção que preciso ter e sempre tive cuidado é que, quando conseguimos traçar muitos paralelos e criar probabilidades, pensamos em suas consequências. Neste ponto, sempre precisei de atenção para não criar paranoia. Mas nem sempre deu certo. Sofri crises de pânico ao focar nas possibilidades ruins que poderiam acontecer. Precisei de medicação e comecei a tomar sertralina.
Ela me ajudou muito, passei por essa fase ruim da minha vida (das muitas). Mas ela me transforma em algo que eu não sou, ela suprime essa segunda mente minha. Isso não sou eu, eu não quero ser essa pessoa. Você pode se perguntar "mas Jefferson, assim você não consegue lidar consigo mesmo?", sim, mas estou lidando com alguém que não me cativa.
Tudo o que escrevo pode não fazer sentido para você que está lendo, mas o ponto é esse mesmo. O ponto é que sou quem sou e gosto de ser quem sou, mas não consigo lidar com isso quando estou só, eu vivo em uma relacionamento abusivo comigo mesmo (kkkkkk).
Melhorei após a terapia, hoje não uso mais medicação e não tenho paranoias ou crises achando que vou terminar só, triste e ouvindo Alice in Chains.
Mas é um exercício difícil, principalmente quando começo a achar que as coisas estão normais; nessas horas, preciso fazer um grande esforço para não ceder aos pensamentos que me fazem acreditar que não sou suficiente para aquela situação boa. Preciso me policiar para não cometer erros, para não afastar o que é bom simplesmente porque acredito que não sou suficiente, isso cansa.
Na minha cabeça, testei todas as possibilidades de sucesso e de falhas. Não espero nada dos outros, mas dizer isso para mim não significa absolutamente nada, pois, se algo falhar, é por minha culpa, eu falhei. Sei que não será necessariamente minha culpa ou até pode ser, sei que as coisas acontecem. Mas quando estou só comigo mesmo, serei cobrado e ficarei pensando onde falhei e encontrarei esta falha, vou achar meu erro, mesmo que ele não seja meu.
Sabe, ser atento o tempo todo me torna um bom pai, gosto disso. Ser atento o tempo todo faz eu perceber o que você precisa, seja amigo, namorada, ficante, esposa. Gosto de observar e sou bom nisso. E ao perceber que consigo deixar alguém feliz, eu também fico feliz. Eu me sinto suficiente.
Escrever aqui é uma forma de expressar meus medos. Sempre que algo que considero potencialmente bom acontece, aciono muitos mecanismos de defesa para evitar que prossiga, com medo de que não funcione no futuro, evitando pensar sobre isso. Por isso, estou escrevendo.
Hoje, decidi não desistir mais de nada. Mesmo que a chance de sucesso seja pequena, estou aprendendo a aproveitar o processo. Compreendi que o importante não é apenas o resultado final, mas sim o percurso. Eu sei de tudo isso. No entanto, minha mente continua agindo da mesma forma.
É por isso que escrevo. Enquanto escrevo, estou dialogando com essa outra parte de mim, explicando que reconheço que as probabilidades podem não estar a meu favor, que o futuro pode trazer tanto felicidade quanto tristeza. Apresento meus argumentos (sim, preciso defender meus pontos de vista para mim mesmo), e encontro paz para seguir em frente e viver.
Se você leu até aqui, obrigado. Minha mente estava confusa e eu estava me atrapalhando, mas usei este texto para organizar esse conflito.
Para concluir, este é um exercício que criei durante a terapia, percebi que falar sobre o que sinto e como me sinto faz com que eu aprenda a conviver com coisas que não consigo mudar em mim (ou que ainda estou mudando), eu aprendi a me conhecer e ser honesto. Hoje sou sempre honesto com o que sou e quero e com todos que estão próximos a mim, e os desafios que isso me trás eu luto todo dia para superar.
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