Faz tempo que quero escrever sobre isso, mas toda vez desisto na cara do gol, e não sei ao certo o motivo, talvez medo de interpretarem de forma errônea o que penso e sinto... Mas vamos lá.
Faz um café ai!!!
Não é de hoje o meu sentimento de descontentamento com as coisas virtuais. Para quem me conhece mais intimamente sabe que sou a pessoa do mundo da tecnologia que mais odeia tecnologia, pelo menos aqui no interior hehehe. Acho que odeio TANTO ela pela forma como ela me afeta, ou como uso ou usamos (sei lá), principalmente nos aspecto do relacionamento com as pessoas. Vou explicar melhor, mas senta que lá vem história....
Eu hoje tenho 30 anos e estou relativamente perto de completar 31, e esse texto não uma crise existencial dada a idade que apresento (ou talvez seja), até porque para os dias de hoje eu ainda sou jovem, ainda mais se levarmos em conta que não tenho filhos e nem um casamento de longa data, que é o rio que divide a fronteira entre ser adulto ou um homem descolado... principalmente nos dias de hoje.
Venho (como dito em outros textos), dos primórdios da internet, acompanhei todo o processo de comunicação digital. Usei o Irc, icq e vi todo o bum do MSN e seu fim, e ainda antes disso já fazia meu Diablo I ligar para o PC de meu amigo para jogarmos em direto, conversando pelo jogo, isso lá em 96 97. Falar com pessoas pelo computador existe em minha vida a muito tempo, muito antes de qualquer um imaginar que o WhatsApp seria essa febre em 11 em cada 10 tias e avós.
Acho fantástico o desenvolvimento tecnológico que existe hoje, e principalmente tudo que ele tem a oferecer, mas o problema é como usamos. Na verdade o problema de tudo é de como usamos, desde a invenção de algo cortante para facilitar a busca para alimentos e nós desvirtuamos para matar outras pessoas. Hoje só estamos usando a nossa faca de pedra, uns certos, outros errados.
Nem sempre a utilização de forma errada da tecnologia é intencional, muitas vezes estamos condicionados a ir na onda, fazer e usar como todo mundo, simplesmente pelo fato de que todo mundo faz assim. Mas qual o custo disso? Qual o impacto disso em nossas vidas?
Os mais íntimos a mim conhecem bem a minha vidam, das coisas que fiz, da forma que vivo. Morei distante de casa (no passado) e ainda moro (novamente), me distanciei de amigos de longa data na vida real, e fiz muitas besteiras, mesmo sendo besteiras bestas que a maioria de nós cometemos...
Hoje moro distante de qualquer amigo meu, amigos AMIGÕES mesmo, aqueles conquistados de longa data, que você pode contar a qualquer hora do dia ou noite. Hoje meu ciclo de amizade se resume a minha esposa e aos amigos que herdei (que por sinal são ótimas pessoas sogra, primos delas e amigos, e gosto muito). Mas essas pessoas não são minhas amigas, não posso ligar para elas no meio da tarde quando estou aflito e ouvir uma voz que vai me acalmar, talvez eu possa, mas não consigo e jamais conseguiria... tenho poucos amigos reais e eles sabem o quão ruim sou para me abrir.
"É a verdade o que assombra
O descaso que condena
A estupidez, o que destrói
Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais"
A tecnologia deveria me ajudar com isso, afinal... estou a um contato no WhatsApp de qualquer amigo meu... Deveria... Mas comigo não funciona assim, e acredito que com muitos também seja da mesma forma. A comunicação por mensagens, áudios ajuda, mas quando você está aflito, triste ou se sentindo só... a tela de um celular ou computador só te deixa mais para baixo ainda, pois mostra que você não tem ninguém ao seu lado.
Esse é meu problema com a tecnologia, estamos tão cheio de gente em volta fazendo barulho e não conseguimos falar, não conseguimos um segundo de atenção verdadeira. Muitas vezes conseguimos por um curto tempo, mas nesse meio tempo (as vezes) seu amigo recebeu outra mensagem e se perdeu no que você falava e você simplesmente deixa de lado...
É o grande sofisma deste tempo: vamos às redes sociais para nos conectar e, incrivelmente, estamos cada vez mais desconectados. Quem é que pode afirmar que os milhares que se conectam significarão algo, algum dia? Não se constroem mais relações permanentes, aquelas do olho no olho, tato, pele, confidência e confiança. Fonte
Hoje moro distante de pai, mãe, irmã e amigos, mas também estou perto ao mesmo tempo... o problema é que não consigo um colo ou ombro para ficar ali 5 minutos em silêncio... o silêncio em frente a tela é o pior de todos.
Então se eu posso dar uma dica essa dica é... se você está na mesma cidade que um amigo seu, ou irmão, até mesmo um parente... Vá até ele, faz um tereré ou um chimarrão, marque um chopp... Mas vá, não troque linhas criptografadas de uma segurança que não protege você de si mesmo e saia... Não se limite a internet.
Não importa se só tocam
O primeiro verso da canção
A gente escreve o resto sem muita pressa
Com muita precisão
Nos interessa o que não foi impresso
E continua sendo escrito à mão
Escrito à luz de velas quase na escuridão
Longe da multidão
Enquanto isso eu sigo sendo o exército de um homem só, lidando com minhas neuras e crises existenciais, esperando um convite para um chopp ou um chima, para falar sobre qualquer coisa, pois meu cachorro e gato não falam muito comigo durante o dia, mesmo eu falando com eles o tempo todo.
Talvez eu apenas esteja me sentindo só nesse barulho todo.
Leia mais:
-
Jefferson Speck opinião

Nenhum comentário:
Postar um comentário