Desde de ontem eu estou com essa frase na cabeça, e ela é muito interessante pois nos leva a refletir sobre nós mesmo. Sempre que questionarmos certas atitudes de pessoas ao nosso redor devemos ter essa frase na cabeça, e tentarmos nos colocar no lugar da outra.
Sei que isso não é nada fácil de se fazer, e na maioria das vezes estamos cagando para isso (o outro que se foda). Mas e quando nós estamos do outro lado? Isso é um paradoxo*, nesse momento alguém deve estar me julgando sem compreender os motivos que me levam a escrever esse texto.
Complicado e complexo eu diria, mas vou utilizar esse raciocínio para compreendermos e falarmos sobre um assunto antigo, e um problema mais do que atual: Bandidos e sociedade. Tan tan tan tannnnnnnnnn...
Violência
Bom, vamos começar pelo começo, como diria o capitão óbvio. Vivemos um estado de alarde geral, os mais pessimistas nesse Brasil diriam que nunca antes na história desse país foi tão perigoso ser brasileiro e os mais otimistas também. Sobre essa afirmação eu não concordo nem discordo, muito pelo contrário.
O Brasil está extremamente violento e cheio de assaltantes, assassinos, bandidos (com e sem colarinho branco), e outros? Sim! Mas toda sociedade é reflexo de si mesma, a sociedade é o que somos, é como o grito da torcida, todos juntos fazemos o coro, e som que produzimos afeta a todos nós. Nós escolhemos se queremos cantar Annita ou Pearl Jam.
Eu poderia listar aqui inúmeras notícias, estatísticas sobre mortos, feridos e fazer essa postagem sangrar, mas esse não é o objetivo, quero que tenhamos a capacidade de compreender um pouco os efeitos que produzimos.
Nós somos violentos! Claro que cada a um a sua medida, e o que precisamos para estourar é só uma chama, pequena, grande, não importa, o tamanho pode varia para cada pessoa.
"De fato, há uma predisposição genética para a agressividade”, confirma o geneticista Oswaldo Frota-Pessoa, da Universidade de São Paulo, conhecido por investigar em que medida o comportamento humano é herança biológica. Mas ele adverte: "Não existe um gene que seja única e exclusivamente responsável por uma crise de cólera”. Segundo Frota-Pessoa, durante a evolução, os genes dos indivíduos de qualquer espécie que agiram mais adequadamente em relação ao meio foram perpetuados. "Por isso, como a maioria das características físicas e comportamentais normais, a predisposição para a agressividade também é transmitida por um grupo de genes." Ou seja, estes apenas determinam a probabilidade de a pessoa ser agressiva. O resto é com a vida. - Super Interessante.
O mundo que vivemos que dirá (em boa parte, claro), se seremos violentos ou não, ele é o estopim e nós somos o combustível, cada um com sua quantidade.
Para compreendermos a violência, precisamos compreender nosso ambiente, para sacar o "por quê" determinada pessoa mata alguém (por exemplo), precisamos nos colocar no lugar e observar o que levou ela à aquela situação. Precisamos calçar seus sapatos.
Pessoas
Você ainda deve estar se questionando e me julgando nesse momento, e até sei o que passa por sua cabeça:
- Esse louco ai ta querendo fazer eu achar que um bandido tem que ser perdoado só porque sofreu ou sofre na vida???
- Pronto, ninguém mais é culpado!!!
- Quer dizer que a culpa desses bandidos existirem é minha??? (tá!!! essa aqui de certa eu disse, hehehe, mas vou explicar mais para frente).
Não, o que quero dizer é que observando nosso universo e nos colocando na posição do outro (em seus sapatos), podemos compreender o que levou a pessoa a determinada decisão, você pode não concordar com o que ele possa ter feito, mas compreenderá o por quê.
Esse exercício é poderoso, se você começar a fazer ele com mais frequência e carregar consigo cada vez menos pré-conceitos e pré-julgamentos logo conseguirá avaliar melhor suas próprias decisões, pois verá o quanto elas podem afetar os outros.
Complexo né? Vamos dar um exemplo:
- Um empresário tinha em suas mãos uma lista de funcionários que queriam um aumento de salário, mas optou em não aumentar o de ninguém "a crise chegou" dizia.
- A funcionária estava com sua filha doente a dias, porém não conseguia mais pagar pelos remédios, e precisava de um aumento... Sempre ao sair do trabalho, ajudava alguns moradores de rua ali por perto, mas dessa vez não iria mais ajudar.
- Um morador de rua já vivia a anos no centro da cidade, nunca havia roubado ninguém, sobrevivia a base de doações, mas a cada dia ficava mais e mais difícil conseguir algo, e um certo dia uma moça passa e diz "vai trabalhar vagabundo".
- O morador... roubou.
O empresário não sabe o que a moça passa, ela por sua vez não sabe os problemas do morador de rua. A sociedade cria e resolve os problemas. É certo roubar? Não, claro que não, mas nos colocando no lugar dos outros podemos compreender e esse é o segredo para ver onde estamos errando e começar a acertar.
Passando fome, frio e todas as portas batendo em sua cara, o que você faria?
Existe um filme que mostra muito bem isso, de como cada coisa está ligada, de como cada ação feita é resultado de uma ação anterior. É aquela máxima do avião, que para cair é necessário acontecer uma série de merdas. Assim é a sociedade, aquele gatilho puxado pode ser resultado do seu dia chato (quase um efeito borboleta* social).
última parada 174 (Filme/Documentário - real)
No filme vemos que uma sequencia de fatos resulta na morte de duas pessoas, e são muitos os pontos, são muitos os erros, talvez todos eles justificáveis, talvez não, mas quando analisamos cada pessoa envolvida no evento entendemos o porque ele aconteceu. Marginal, Sociedade, Polícia, Mídias TODOS COM SUA PARCELA DE CULPA E ACERTO.
Somos culpados? Sim e não. Mas podemos fazer algo? Sim, vamos começar com o básico, nos colocarmos no lugar de cada indivíduo, compreendo ele compreenderemos nós mesmos, e a partir desse ponto poderemos fazer algo.
Pessoas que ajudam crianças abandonas geralmente fazem isso porque em algum momento pensou "imagina como deve ser ruim não ter pai e mãe por perto, eu sei como isso foi importante para eu ser quem sou hoje", e aquela criança verá que pode esperar algo melhor e ser melhor. E isso acontece em cadeias, escola, faculdade, política.
As melhores e mais efetivas ajudas nascem das mais honestas percepções, nascem quando deixamos de ser nós mesmos e passamos a ser outros e outras em nosso mundo.
Sei, muitos são ajudados e voltam a fazer algo errado, sei que nada é perfeito... mas sermos melhores melhora... Podemos efetivamente (achamos) não ajudar ninguém, mas ajudaremos nós mesmos, e se somos melhores tudo melhora...
Espero ter conseguido passar a todos vocês a minha ideia, esse post não tem o objetivo de julgar se temos que punir, como agir, quem ta certo ou errado. Esse post é um exercício individual por um bem coletivo, e cada ponto treteiro aqui quero abordar em postagens futuras.
Ajuda, Glossário e Curiosidades.
Paradoxo:
- pensamento, proposição ou argumento que contraria os princípios básicos e gerais que costumam orientar o pensamento humano, ou desafia a opinião consabida, a crença ordinária e compartilhada pela maioria.
- aparente falta de nexo ou de lógica; contradição.
Efeito Borboleta: é um termo que se refere à dependência sensível às condições iniciais dentro da teoria do caos. Este efeito foi analisado pela primeira vez em 1963 por Edward Lorenz. Segundo a cultura popular, a teoria apresentada, o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo. Wiki
Para refletir:
Links:
http://super.abril.com.br/comportamento/de-onde-vem-a-violencia
http://folganadirecao.com.br/combustivel/e-voce-se-coloca-sapato-outro/
-
Jefferson Speck Violência
Muito boa reflexão. Mas eu gostaria de analisar o citado efeito borboleta* social fazendo um paralelo com uma das teorias que tentam explicar o nexo de causalidade no Direito Penal e no na Responsabilidade Civil, isto é, são teorias que tentam demonstrar quais ações são aptas a deflagrar o resultado final. Encontramos no texto algumas semelhanças a famosa Teoria da equivalência de condições (conditio sine qua non) de Von Buri. De acordo com esta teoria NÃO há diferença entre os antecedentes fáticos do resultado danoso, de maneira que TUDO aquilo que concorre para o RESULTADO é considerado causa. A questão aqui é que acabamos, em alguns momentos em um espiral infinito de causas. Ilustrando, pode-se citar o início do filme "Senhor das Armas" - vemos fabricante da munição, na sequencia ela é distribuída, depois contrabandeada, chega até nas mãos do guerrilheiro (sei lá) e, por fim, atinge a cabeça de uma criança. Considerando esta situação, a industria que produz a munição (antecedente fático) tem ligação com a morte dessa criança (resultado)? - Nessa mesma linha: O empresário que não deu aumento para os funcionários é responsável pelo assalto cometido pelo morador de rua? Perceba que estamos em um momento de inflexão, a dinâmica social não nos permite buscar responsáveis que não àqueles que tenham ligação direta e imediata com o resultado. Concluindo, é importante entendermos os reflexos de nossos atos, porém é impossível responsabilizar a todos dentro de uma cadeia infinita de acontecimentos.
ResponderExcluirSim, exatamente esse o ponto, somos culpado e inocentes, não temos como prever, nem ser responsabilizados. Por isso é importante mudar o que pode ser mudado, mas mesmo assim continuaremos a prover ações que podem e vão acarretar em outras ações.
Excluirhahaha é complexo
Lendo o post me lembrei da música "Ei Moleque", da banda manezinha da ilha "John Bala Jones". O clipe é sensacional, ilustra muita coisa que colocou aí. E lembrei também do filme vencedor do Oscar de 2004, "Crash - No Limite", onde há pré-julgamentos e pré-conceitos durante o filme todo. Obs.: excelente comentário do Diego acima.
ResponderExcluir:)
ResponderExcluir